terça-feira, 26 de outubro de 2010

Halloween: O fim de um ciclo


Shamhaine, samhaine, shamhna, halloween têm origem da palavra gaélica saven ou souêin, que significa fim de um ciclo. Os celtas acreditavam que nessa época do ano abria-se um portal entre o mundo dos vivos e o dos mortos, entre vários planos e dimensões, para o intercâmbio de experiências.
O shamhaine iniciava em 31 de outubro e terminava em 2 de novembro, representando o fim do ciclo de vida produtiva da Mãe Natureza, onde tudo que foi plantado foi colhido e os filhotes foram criados, começando o planejamento e preparação no novo ciclo que viria com a primavera. Nessa época de transição, todas as criaturas do mundo podiam se comunicar e no fim de três dias, o portal fechava-se, retornando tudo ao normal.
Na religião cristã, esse período não foi abolido. No dia 31 de outubro, temos o Ano-Novo ou a Festa das Bruxas e no dia 2 de Novembro, o Dia de Finados. Em muitos lugares do mundo esse período era dedicado a visitas aos túmulos (como aqui no Brasil)ou celebrado com banquetes junto aos mortos (como no México) e missas para as almas dos que partiram.
As festas de halloween contêm muitos simbolismos, principalmente a bruxa, representada pela anciã, de cabelos brancos, que na verdade nada mais é que o fim do ciclo da vida. Particulamente, acredito que essa mistura da bruxa velha e assustadora muito com a ideia de portal aberto entre vivos e mortos, acaba por dar toda essa conotação de que é do mal. Também acho que não é bem assim: só porque é anciã, não precisa ser necessariamente assustadora, e porque tem a ver com mortos não precisa ser, necessariamente do mal.
Outras associações feitas com o halloween, que aprecio:
- Corvo: mensageiro dos deuses e sabedoria.

- Coruja: ligação entre o mundo da luz e das trevas e conhecimento dos dois.

- Gato preto: símbolo da energia feminina, mãe e protetora do lar.

- Morcego: perfeito senso de direção e imortalidade.

- Sapo: eterna mudança e fertilidade.

- Serpente: renovação permanente do Universo, representação do cosmo.

Para os celtas, a Deusa era o eterno princípio da vida e o Deus a renovação, pois nascia, crescia, fertilizava a terra, morria e renascia. No período de shamhaine, o Deus descia ao mundo subterrâneo, tornando-se o Deus da Morte, Senhor de Tudo que Era Oculto e Misterioso, deixando a Deusa Anciã viúva. Ao mesmo tempo que absorvia para si a semente que não ia nascer, tornando-se túmulo, a Deusa Anciã acolhia a semente que iria brotar, tornando a terra fértil.

A época de shamhaine é de festa e alegria, mas também de momentos de reflexão e avaliação de experiências do passado, balanço e cuidados do que semeamos, o que colhemos, onde erramos e o que vamos plantar no próximo ciclo.

Acho que o mais perigoso disso tudo está aí: cuidar do que semeamos, pois colheremos no próximo ciclo...


*baseado em estudos de Marina Yurkin - parapsicóloga, terapeuta holística, bacharel em metafísica, professora e pesquisadora.

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