
Shamhaine, samhaine, shamhna, halloween têm origem da palavra gaélica saven ou souêin, que significa fim de um ciclo. Os celtas acreditavam que nessa época do ano abria-se um portal entre o mundo dos vivos e o dos mortos, entre vários planos e dimensões, para o intercâmbio de experiências.
O shamhaine iniciava em 31 de outubro e terminava em 2 de novembro, representando o fim do ciclo de vida produtiva da Mãe Natureza, onde tudo que foi plantado foi colhido e os filhotes foram criados, começando o planejamento e preparação no novo ciclo que viria com a primavera. Nessa época de transição, todas as criaturas do mundo podiam se comunicar e no fim de três dias, o portal fechava-se, retornando tudo ao normal.
Na religião cristã, esse período não foi abolido. No dia 31 de outubro, temos o Ano-Novo ou a Festa das Bruxas e no dia 2 de Novembro, o Dia de Finados. Em muitos lugares do mundo esse período era dedicado a visitas aos túmulos (como aqui no Brasil)ou celebrado com banquetes junto aos mortos (como no México) e missas para as almas dos que partiram.
As festas de halloween contêm muitos simbolismos, principalmente a bruxa, representada pela anciã, de cabelos brancos, que na verdade nada mais é que o fim do ciclo da vida. Particulamente, acredito que essa mistura da bruxa velha e assustadora muito com a ideia de portal aberto entre vivos e mortos, acaba por dar toda essa conotação de que é do mal. Também acho que não é bem assim: só porque é anciã, não precisa ser necessariamente assustadora, e porque tem a ver com mortos não precisa ser, necessariamente do mal.
Outras associações feitas com o halloween, que aprecio:
- Corvo: mensageiro dos deuses e sabedoria.
- Coruja: ligação entre o mundo da luz e das trevas e conhecimento dos dois.
- Gato preto: símbolo da energia feminina, mãe e protetora do lar.
- Morcego: perfeito senso de direção e imortalidade.
- Sapo: eterna mudança e fertilidade.
- Serpente: renovação permanente do Universo, representação do cosmo.
Para os celtas, a Deusa era o eterno princípio da vida e o Deus a renovação, pois nascia, crescia, fertilizava a terra, morria e renascia. No período de shamhaine, o Deus descia ao mundo subterrâneo, tornando-se o Deus da Morte, Senhor de Tudo que Era Oculto e Misterioso, deixando a Deusa Anciã viúva. Ao mesmo tempo que absorvia para si a semente que não ia nascer, tornando-se túmulo, a Deusa Anciã acolhia a semente que iria brotar, tornando a terra fértil.
A época de shamhaine é de festa e alegria, mas também de momentos de reflexão e avaliação de experiências do passado, balanço e cuidados do que semeamos, o que colhemos, onde erramos e o que vamos plantar no próximo ciclo.
Acho que o mais perigoso disso tudo está aí: cuidar do que semeamos, pois colheremos no próximo ciclo...
*baseado em estudos de Marina Yurkin - parapsicóloga, terapeuta holística, bacharel em metafísica, professora e pesquisadora.

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